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Quando Morgan Freeman estreou com a sua série “The story of God” eu fiquei impressionada com a delicadeza na abordagem de um assunto tão polêmico. Mas aparentemente falar de religião é tão complicado quanto falar dos próprios humanos e a forma com que se comportam dentro de uma sociedade. Tendo esse tema em vista, “The story of us” se propõe a entender o que faz do humano um ser livre.

Liberdade, paz, amor, tolerância, poder e coragem. Palavras que movem multidões na busca daquilo que mais desejam. Guiados por essas necessidades humanas, a série nos apresenta histórias de pessoas que foram privadas de seus direitos mais básicos e usaram dessas palavras para lutar.

Essa luta pode vir em forma da resistência pela própria liberdade, tanto física quanto de opinião. Quando um preso político se vê livre pela primeira vez na vida, o mundo se mostra muito mais bonito do que ele realmente é para nós que sempre nos aproveitamos dessa liberdade. Em forma de resistência na busca de ser livre para expressar sua identidade de gênero dentro de uma religião extremamente conservadora e um país em guerra.

Em forma da busca pela paz em países Africanos que enfrentam guerras civis sob um falso manto de ordem e progresso. Em forma de um cabeleireiro que doa seu tempo e sua atenção para mendigos que, depois de um belo corte de cabelo e de barba, se sentem amados como a muito não se sentiam. Em forma da busca pelo poder para enfim ser ouvido o clamor por menos violência. Em forma de tolerância na figura da amizade de um negro e um ex-membro da Ku Klux Klan.

Oscilando entre o amor e o ódio, a paz e a guerra, o preconceito e a tolerância, a série me fez pensar o que é ser humano e o que nos faz ser humanos. Em tempo violentos como os nossos, gosto de me apegar às ideias mais positivas possíveis. Gosto de saber que existem pessoas fazendo o pouco que podem para melhorar a existência de outras. Ao mesmo tempo que me entristece ver que ainda estamos batendo a cabeça nas mesmas questões, percebo que de forma muito lenta podemos ter a esperança de um futuro melhor. Foi esse o meu sentimento ao ver aquelas pessoas da série podendo conquistar aquilo que as faziam se entender como humanos.


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Minha paixão pela fotografia veio durante a faculdade. Nas aulas éramos apresentados para alguns fotógrafos sociais, fotojornalistas, de moda e muitos outros. Com o tempo, cultivei uma paixão pela fotografia social e o fotojornalismo e a forma única que essas duas têm de mostrar várias facetas do ser humano. Quando a Netflix lançou a série Tales By Light vi ali uma oportunidade de conhecer novos fotógrafos e entender o seu processo criativo em campo. 

Apesar de a série já ter três temporadas, estou aqui para falar em especial de dois episódios da terceira, um e dois. Acompanhamos o fotógrafo Simon Lister em uma viagem à Bangladesh junto com a UNICEF com o propósito de fotografar crianças em situação de risco. Quando eu e meu namorado escolhemos esse episódio para ver, lembro de ter virado pra ele e falado “não posso com crianças, acho que vou chorar muito.” Com apenas cinco minutos de episódio tivemos que pausar pois já chorávamos tanto que não conseguimos acompanhar. 

A proposta de fotografar crianças vai um tanto além quando Simon resolve fotografá-las trabalhando em minas, fábricas de bexiga e alumínio. As fotos dele têm uma força arrebatadora que junto com a fotografia das filmagens me deixou sem fôlego. Ao acompanhar a história de algumas crianças, podemos ver o fotógrafo se mostrando inabalável ao lado de um Orlando Bloom completamente arrasado. 

As filmagens das vidas daquelas crianças me deixou com um sentimento de incapacidade enorme. Eu só conseguia pensar que elas não tinham culpa de nada daquilo, não mereciam nada daquilo e que deveriam estar vivendo sua infância. É destruidor saber que isso não acontece apenas na Índia, mas também dos nossos lados. 

Acabei por questionar o papel do fotógrafo neste ambiente. Deve-se interferir ou não? Uma eterna pergunta sem resposta. Porém, para Simon o que o conforta é saber que suas fotos vão para o mundo e poderão ajudar a salvar essas crianças. Dentro de mim, ainda não encontrei conforto para essa situação. Sempre penso que deveríamos fazer mais, muito mais. Vale muito pesquisar o trabalho do fotógrafo e se impressionar com suas imagens.

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