quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Resenha: "Tim"



Colleen MacCullough nasceu em Wellington, Austrália, em 1937. Escreveu um grande best-seller, Pássaros Feridos, e hoje mora com seu marido em uma ilha no Pacífico Sul, enquanto é tida como um dos tesouros da literatura australiana.

Em Tim, Mary Hourton é um solteirona de 40 anos e não vê mais nada na vida que não seja seu emprego perfeitamente estável. Dona de costumes ultrapassados e um jeito duro de ver a vida, Mary é colocada em uma posição de extrema confusão quando se depara com o jovem Tim, um ajudante dos pedreiros que trabalhavam para sua vizinha, e fica maravilhada com a beleza do garoto, digna de colocar a mais perfeita escultura em um patamar inferior. 

Quando seu jardineiro perfeitamente periódico resolve não mais trabalhar para si, Mary pergunta para Tim se ele não gostaria de cuidar do jardim todos os sábados. Feliz com os trocados extras que viriam, o garoto aceita a proposta e passa a visitar todas as semanas a casa da velha solteirona. É em uma dessas visitas que Mary nota algo de diferente no garoto. A ingenuidade que ele transbordava não eram características de rapazes na casa dos 20 anos, como ele. Então fica sabendo, pela mesma vizinha que contratara os pedreiros, que Tim sofre de um retardo mental ocasionado pela idade da mãe ao engravidar dele. Tocada com a história do garoto, Mrs. Hourton entra cada vez mais na vida dele e se vê envolvida com toda aura que essa companhia lhe passa.

Colleen tem um dom maravilhoso de transformar um romance que, a princípio, pareceria clichê em algo completamente emocionante. Envolta por uma narrativa delicada, a trama é trabalhada com foco em Mary e sua mente conturbada. Temos uma visão de alguém que, com uma vida inteira regada à regras e normas, se vê, pelo primeira vez, quebrando-as e se libertando para o que realmente sente e deseja fazer. É como se compartilhássemos da angústia e dos prazeres que a personagem é acometida em todas as reviravoltas do livro, levando-nos a pensar que nem sempre o que nos é imposto e, por mais certo que ele pareça, é o ideal para nós.

Somos inseridos em uma família que luta ao lado de um filho retardado. Sim, a palavra usada não é 'especial' ou 'deficiente'. A brutalidade com que lidam com a situação de Tim me passa a visão de uma sociedade despreparada para lidar com pessoas diferentes. Mesmo assim, os pais do jovem são o exemplo de como se deve tratar pessoas com necessidades especiais, como se dissessem para todos que não importa se o garoto é retardado ou não, ele continua sendo um homem e, como tal, têm necessidades de um.

O mais bonito de se notar no livro é a delicadeza com que autora trata a evolução, não só intelectual, mas também emocional de Tim. Ela usa o choro como demonstração chave e nos faz perceber que, quando ele ainda era imaturo, ou seja, antes de conhecer Mary, chorava soluçando como uma criança e, logo depois de passar por experiências que o amadureceram ao lado da mulher, chora agora em silêncio, como um homem. É a demostração mais sutil e complexa de crescimento interior que a autora poderia usar, junto com o aflorar de novos sentimento dentro de Tim que antes ele não sabia existir.

É um romance tão bonito e intenso quanto perturbador para alguns. Talvez a ideia de uma senhora se envolvendo com um garoto especial seja estranho, mas não podemos deixar de lado toda lição de vida que uma obra como essa nos transmite, mesmo sendo polêmica. Colleen foi genial ao usar uma história dessa intensidade para nos mostrar que todos são perfeitamente iguais e merecemos ser tratados como tal, independente de qualquer coisa. 

E esse livro levará:






CINCO CORUJINHAS
  
- Camila Fencz

2 comentários:

  1. Nossa, esse livro parece ser emocionante... *-*
    Vou colocar na minha listinha pra ler...

    Um beijo!

    clubemeninasleitoras.blogspot.com.br

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Sim, o livro é maravilhoso. Um romance conturbado e delicado.

      Obrigada pelo comentário.

      Beijos!

      Excluir