quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Resenha: "Música Fúnebre"



Morag Joss nasceu na Escócia e mudou-se para Londres a fim de estudar canto. Trabalhou em galerias de arte, museus e até como palestrante, mas foi na literatura que encontrou sua vocação.

Em Música Fúnebre, Sara é uma violoncelista que não se apresenta a mais de um ano por conta de acontecimentos em seu passado. Depois de muita insistência de seu amigo e de seu agente aceita tocar em um show beneficente, mesmo que ainda assombrada pela culpa do passado. Na manhã seguinte da apresentação, quando volta ao local do show para buscar um acessório do vestido usado, encontra um corpo caído em uma das fontes que adornam o local. Andrew, um detetive bem conceituado e aluno de Sara, é responsável pela investigação e não vê outra saída, mediante o mistério do crime, que não seja dividir suas descobertas com sua professora e ídola. Envolvida cada vez mais com o caso, Sara persegue pistas que muitas vezes passam despercebidas pelos olhos da polícia e se afunda cada vez mais em um mistério que envolve pessoas próximas a si.

Música Fúnebre é o primeiro trabalho de Morag Joss, o que me impressionou verdadeiramente. A autora mostra um talento não só na capacidade de escrita, como também na forma como mescla elementos da literatura policial e aspectos das narrativas que não fazem parte deste gênero. Em outras palavras, Morag não está apenas preocupada em nos evidenciar fatos e provas, mas também nos englobar em um contexto psicológico e emocional referente ao passado dos personagens ou até mesmo da presente situação vivida por eles.

A autora trabalha com cenas de explicações das evidências e narrações completamente "à deriva", nos confundindo e dando um clima de mistério, fazendo com que o leitor tente tirar suas conclusões mesmo com pouquíssimos fatos apresentados. As narrações em terceira pessoa nos dão uma visão mais ampla da vida de cada personagem, mesmo que, por muitas vezes, ela nos oculte fatos que sentimos necessidade de saber, como o misterioso passado de Sara. 

A linguagem é fácil, porém bem elaborada e super descritiva. A pequena cidade de Bath, no sudoeste da Inglaterra onde se passa a história, nos parece completamente familiar, assim como o restaurante Pump Room e os vastos pontos turísticos. A maneira com que nos apresenta as evidências se assemelha com outros grandes escritores de romances policias nos impressionando com o rumo das investigações.

É triste saber que a Companha das Letras só publicou esta obra da autora. Morag tem mais seis livros publicados no exterior que aparentemente são tão bons quanto Música Fúnebre. A obra me impressionou pelo fato de ser tão bem conduzida mesmo sendo o primeiro romance da escritora. Isso mostra que talentos estão escondidos por todo mundo esperando ser descobertos e desbravados. Espero ansiosamente por outras publicações de Morag Joss. Uma autora que soube nos encantar, não apenas com sua história envolvente, mas também com personagens sedutores e um pouco de música clássica.



- Camila Fencz

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